você ainda quer dormir comigo?
a fofoca que vai acabar com a bela reputação que existe só dentro da minha cabeça.
eu ia contar resumidamente, mas sei que vocês amam quando eu arreganho minha vida aqui, então vamos de contexto:
no começo desse ano, eu viajei pra amazônia — naqueles grupos que a gente conhece as pessoas só na data da viagem… e sabe quem mais juntava uma galera desconhecida no mesmo cômodo apertado por dias? hitler.
no hostel, com a minha língua gigante falando com a recepcionista sobre o calor amazonense que parecia a mão do michael jordan em volta do meu pescoço, uma mocinha que pesava uns 25kg (molhada) encostou no balcão. eu, discreta como um urubu cercando cachorro magro, entendi pela roupa e pela cara que ela não era brasileira.
mas é interessante, pra não dizer coisa de arr0mbado, como os gringos chegam aqui com a certeza que a gente anda de cipó e caga no chão; que não temos a mesma capacidade de comunicação que um branco médio rac1sta da classe b que viaja no final do ano. ave maria, que específico.
pois essa vagabunda BALANÇOU a chave do quarto na cara da recepcionista. qualquer imbecil seguiria a numeração até achar a bosta do quarto, penso eu, aqui trançando meu cipó.
bom, a partir daqui, não sei explicar exatamente o que aconteceu, tá? se alguém me dissesse que uma entidade ancestral da mata me usou pra acabar com a viagem dela, eu acreditaria. ainda na recepção, intermediei a comunicação entre as duas e só sei que chegamos à conclusão de que eu e ela ficaríamos no mesmo quarto. pensei, tá bom, tô cansada, vida que segue.
spoiler: a vida não seguiu.
chegamos no quarto e, tal qual o dorama mais fraco da netflix, só tinha uma cama de casal. eu vou esperar você ler essa frase de novo.
acho que eu nunca vi a coloração do rosto de uma pessoa mudar tão rápido de pálido pra meu deus do céu, eu vou ter que dormir com esse bujão? mas eu fingi que não me importei (eu me importei), coloquei a mochila no chão (em pânico), e criei uma barreira de edredons no meio da cama (quase chorando). falamos qualquer whiskas sachê em inglês, ela me contou que era alemã e, finalmente pra mim e infelizmente pra ela, fomos dormir.
grande parte de vocês não me conhece o suficiente pra saber que o meu sono é um quase coma, ou seja, é importante que vocês entendam aqui que eu faço muita coisa durante o sono sem sentir. não esquece dessa informação. por favor. sério.
do mais completo nada, eu acordei ainda meio anestesiada sentindo um calor gostosinho no nariz; fui despertando aos poucos e, enquanto o resto do corpo ligava, percebi que a minha perna tava alta demais. meu braço também.
é que eu tava abraçada na menina 🤝
mas eu não tava abraçada, só, eu tava ENVOLVENDO a menina numa CONCHINHA COMPULSÓRIA.
quando acordei de verdade e dei por mim, ela tava travada encarando o teto com os braços em x, e dava pra pegar na mão o pavor que pairava sob aquela cama amaldiçoada.
mas quem tá acostumada a passar vergonha, também tá acostumada a improvisar.
então, eu fingi que ainda tava dormindo e rolei pro lado oposto, deixando a fascista nojenta coitada assimilar que tinha sofrido um assédio físico-onírico — que vendo por esse lado, é até chique.
ela tinha é que me agradecer pela experiência, essa safada.
eu queria uma desculpa pra comentar sobre um comercial da trivago, daí:
enquanto eu assistia ao meu youtube grátis pois é preciso mais que 40 segundos de comercial pra me derrubar, fui impactada pela propaganda da trivago — do cara que fala ai, num sei o quê? trivago. você sabe qual é.
calma.
eu sei que essa categoria parece só mais uma forma de ridicularizar marcas, mas dessa vez, eu meio que mordi a língua. quem trabalha com propaganda, principalmente com roteiro, sabe que é normal existir uma total ojeriza em vincular o visual da marca ao que dá errado e é ruim.
mas assistindo com mais atenção, eu reparei que as cores da marca também estão no casal tonhão que escolhe errado e paga a mais pelo hotel, dá uma olhada:
e caso você não se lembre, essas são as cores da trivago:
pode parecer bobo, mas é preciso muita confiança na comunicação pra incorporar a identidade visual da marca em absolutamente tudo, até no que é mostrado como errado.
a categoria mais esperada desta news traz hoje uma missão: descobrir qual é o nome do quiosque citado por bruna marques:
como se já não bastasse toda a carga de misoginia que sofremos desde o chefe casado que elogia seu cabelo espontaneamente quando a copa fica vazia ao salário desigual pra mesma função, agora também tem que chamar o homem pra entrevista de emprego.
mas a gente precisa começar a devolver o constrangimento.
se acontecer comigo, vou perguntar se ele quer saber do marido que eu crio no porão ou daquele que eu enterrei no jardim.
👌 o que cês pediram
o babado de banco venceu na enquete e eu vou ter que contar correndo, tô quase estourando os caracteres aqui:
dizem por aí, que um ricaço da alta cúpula do banco-você-sabe-qual (gente, é RICO de pedra, RICO, MESMO) tá escrevendo um livro de memórias com a família e ele mesmo tá treinando uma IA pra ilustrar.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK











É o primeiro texto que leio seu e poxa, enquanto lia só pensava que queria ser sua amiga. E te devo um elogio especial pela curadoria de imagens, que é de excelência. Por favor, continue publicando, obrigada 🤍
Minh vida resumida em três linhas: "mas quem tá acostumada a passar vergonha, também tá acostumada a improvisar" kkkkk